
O que o case da CIMED e do Toguro pode nos ensinar na advocacia?
Assim como ocorre na advocacia, o setor farmacêutico está submetido a regras rígidas de publicidade e propaganda. Em muitos casos, essas restrições são até mais severas do que aquelas impostas à atividade jurídica. Ainda assim, marcas desse segmento conseguem crescer, se posicionar e vender — sem violar a legislação.
A pergunta que fica é: o que podemos aprender com isso?
Na advocacia, a propaganda é vedada. O que se permite é a publicidade de caráter informativo, educativo e institucional. Isso impede o uso de ferramentas comuns do marketing digital tradicional, como chamadas diretas para venda de serviços, promessas de resultado ou os conhecidos call to action comerciais.
No mercado farmacêutico, a lógica é semelhante. Não se pode simplesmente anunciar um medicamento incentivando o consumo direto. Então, como essas empresas vendem?
A resposta está na estratégia de marca.
Em vez da propaganda explícita, entra em cena o trabalho inteligente de posicionamento. A marca passa a se comunicar por outros caminhos: parcerias estratégicas, construção de autoridade, produção de conteúdo informativo e conexão com situações reais vividas pelo consumidor. A mensagem não é “compre”, mas sim “entenda o problema” — e, de forma indireta, o público percebe que aquela empresa tem a solução.
O ponto central é que a decisão final precisa partir do consumidor, não da imposição da marca.


É exatamente essa lógica que pode — e deve — ser aplicada ao marketing jurídico.
No marketing jurídico existem dezenas de ferramentas legítimas que permitem comunicar serviços, construir autoridade e aproximar o advogado de uma contratação, sem ferir as normas da OAB. O problema é que essas ferramentas não estão disponíveis de forma óbvia ou genérica. Elas exigem conhecimento profundo do mercado jurídico, alinhado a estratégia, branding e comunicação ética.
Quando o advogado se limita apenas ao Instagram, acreditando que tráfego pago ou o botão “turbinar publicação” resolverão tudo, o resultado quase sempre é frustração. Gasta-se dinheiro, não há retorno consistente e cria-se a falsa ideia de que “marketing para advocacia não funciona”.
A verdade é outra.
Marketing jurídico funciona, mas não é imediato, nem improvisado. Ele exige método, planejamento, constância e, principalmente, condução estratégica adequada. Assim como no setor farmacêutico, o crescimento vem do posicionamento correto, da informação bem construída e da confiança gerada ao longo do tempo.
No fim das contas, não se trata de vender serviços jurídicos — trata-se de construir percepção, autoridade e segurança, para que o próprio cliente reconheça, no momento certo, que aquele profissional é quem ele precisa.
O que o case da CIMED e do Toguro pode nos ensinar na advocacia?
Crescer em mercados regulados não depende de venda direta, mas de posicionamento, autoridade e confiança construídos ao longo do tempo.
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